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Adaptação escolar: veja como deixar a fase mais tranquila

Escrito por Marielly Campos

Conversar com a criança e prepará-la antes mesmo do início das aulas ajuda neste processo

Marielly Campos

Para as crianças menores, a adaptação pode durar até um ano - Foto: George Crux/ Free Images

Para as crianças menores, a adaptação pode durar até um ano – Foto: George Crux/ Free Images

O início da vida escolar das crianças é uma fase que gera ansiedade e pode ser difícil para toda a família. A chamada adaptação escolar – seja para um bebê ou criança em seu primeiro colégio ou indo para um novo – requer alguns cuidados.

De acordo com a pedagoga, Marina Berti de Lima, especialista em crianças com idades de zero a três anos, é importante que os pais conversem com o bebê ou a criança sobre essa mudança de rotina. “Levar seu filho à escola antes que ele comece as aulas é uma opção interessante, pois ele já poderá ter contato com o espaço, com os professores e funcionários”, aconselha.

Nova rotina

A adaptação deve começar antes mesmo do primeiro dia da criança na escola. Os pais podem – e devem – começar a preparar os pequenos para a nova rotina. Se o bebê ou a criança tira sonecas pela manhã ou tarde o ideal é que antes das aulas começarem, umas duas semanas pelo menos, os pais adequem esse soninho aos horários da escola.

“Por exemplo, seu filho está acostumado a dormir após o almoço e você optou por colocá-lo no período da tarde no berçário, antes vá mudando, gradativamente, o soninho para o período da manhã”, ensina Marina.

Os primeiros dias na escola

Cada escola tem suas regras e metodologias relacionadas à adaptação, mas, em geral, ela acontece de maneira gradativa. As crianças ficam cada dia um pouquinho mais para irem se acostumando com o ambiente. Em muitas escolas, os pais participam desse momento, acompanhando os pequenos em alguns períodos. Mas devem tomar cuidado para não atrapalhar na rotina da sala de aula.

Sabe o bichinho de pelúcia, a naninha, o paninho que seu filho não larga? Eles são importantes também nessa fase. “Os objetos de transição são muito bem-vindos [na escola]”, explica a pedagoga. “Elas trazem segurança à criança nesses primeiros dias”, completa.

Sem mentiras

O momento de deixar o filho na escola sozinho e sair deve ser claro e a despedida deve ser sincera. Os pais nunca devem mentir para os pequenos – por exemplo, dizer “estou aqui na porta” e aproveitar para sair escondido.

“O sucesso de uma adaptação está relacionado com a confiança de todos – professores, pais e, principalmente, as crianças. Se a professora diz a ela que seu pai ou sua mãe estão lá fora ‘tomando um cafezinho’ e, se por alguma razão eles não estão onde foi combinado, vai tudo por água abaixo. Os pais devem mostrar a seus filhos que confiam nas professoras e que eles estarão em boas mãos. Sempre que for sair, despedir-se deles. Os combinados são essenciais e reforçam a relação de segurança das crianças com seus pais e novos professores”, afirma a educadora.

Os pais também sofrem

Sim, deixar os pequenos na escola, principalmente se eles ainda não falam, também é um momento muito difícil para os pais e cuidadores. “O momento não é fácil para ninguém”, diz Marina. Por isso, diálogo e confiança são as palavras de ordem.

“Quando os professores dizem que seu filho ficou bem, mesmo após você tê-lo deixado aos berros e com coração na mão, eles estão falando a verdade”, afirma.

“Não ter pressa para que a criança se adapte também é importante. Principalmente com os pequenos, a adaptação dura o ano todo. É um ano de mudanças. Eles saem do ambiente familiar – onde têm muita atenção, para o ambiente escolar – onde terão que dividir brinquedos, colo e tempo com seus novos colegas. A criança pequena toma consciência de si por meio do olhar do outro. É nessa relação que eles se desenvolvem. É lindo de se ver”, encoraja a especialista.

Mas, quando eles vão parar de chorar?

Depende. Cada criança reage de uma forma. Algumas choram por um longo período, outras, nem choram. No caso das um pouco maiores, é comum que chorem quando estão se aproximando da escola, pois já conhecem o caminho. Mas, em geral, param literalmente quando os pais dão às costas e vão embora. O importante, destaca a educadora, é que eles sejam acolhidos nestes momentos.

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“Uma estratégia que costuma deixar as despedidas menos dolorosas para todo mundo é levar o seu filho até a porta da sala ou local onde ele encontrará com a professora andando, de mãos dadas e não no colo. É muito ruim ‘arrancar’ a criança dos braços do pai ou da mãe. Vira uma situação traumática para todos”, diz.

A adaptação com outros cuidadores

Nem sempre é possível que os pais acompanhem a adaptação. Neste momento, designam outros parentes para ajudar. Entretanto, devem se atentar à resistência destes em relação aos desafios.

A escolha de quem vai acompanhar os primeiros dias da criança na escola varia de família para a família, mas “minha experiência me diz que as avós podem ter mais dificuldades, pois elas normalmente são menos tolerante ao choro da criança, que é esperado e faz parte do processo. Além do mais, elas querem sempre dar uma ‘espiadinha’ [depois que a criança já está na sala de aula] o que pode levar tudo a perder”, diz.

A escola também tem seu papel

Além dos esforços dos pais e dos filhos, também é importante que a escola faça a sua parte: acolher, conversar e orientar são os principais deveres da instituição. “O diálogo e a confiança são a chave para uma adaptação tranquila”, diz.








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