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Boas práticas na introdução alimentar garantem um futuro saudável

Escrito por Marielly Campos

Endocrinologista pediátrica ensina como começar a oferecer uma alimentação saudável para o seu bebê

Marielly Campos

Incentivar a criança a comer sozinha a comer sozinha melhora a autoconfiança dela e sua relação com os diversos grupos alimentares - Foto: Miriam/Pixabay

Incentivar a criança a comer sozinha melhora a autoconfiança dela e sua relação com os diversos grupos alimentares – Foto: Miriam/Pixabay

A partir dos seis meses de vida do bebê, segundo recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde), inicia-se a introdução alimentar complementar. Segundo a médica Marcela Loutfi Amaro, especialista em endocrinologia pediátrica, essa é uma fase de transição, até que a criança comece a receber os alimentos na mesma consistência dos consumidos pela família, o que geralmente ocorre entre os nove e 12 meses.

“Aos seis meses o bebê já consegue sentar sem apoio e levar objetos à boca, além de ter a musculatura da língua adaptada para receber outros alimentos. Essas são aquisições do desenvolvimento neuropsicomotor necessárias para iniciar a transição alimentar”, explica a médica.

Ainda segundo Marcela, a complementação deve acontecer de forma gradual, “iniciando com uma papa, no horário do almoço ou jantar, aumentando para duas em um período de até um mês”, completa.

Futuro

A nutrição no primeiro ano de vida da criança influencia no desenvolvimento e, de forma correta, os ajuda a serem adultos saudáveis. Os bons hábitos desde a introdução alimentar evitam problemas futuros, como obesidade e doenças cardiovasculares, além de melhorar o desenvolvimento intelectual, ensina a especialista.

“Em contrapartida, se a oferta for inadequada, poderão ocorrer desequilíbrios hormonais e metabólicos que ficarão presentes até o resto da vida”, diz Marcela.

Paladar

É também nesta fase que o paladar da criança é formado. As preferências de sabores podem ser modificadas pela exposição de um determinado tipo de alimento. Ou seja, se a exposição ao sal, por exemplo, é feita de forma precoce, haverá preferência por alimentos com excesso de sal. O mesmo vale para o açúcar.

“Resumindo: os pais têm uma oportunidade única de favorecer os bons hábitos alimentares futuros e evitar o aparecimento de certas doenças nos seus filhos. E isso decorre exatamente da maneira em que é feita a introdução alimentar no primeiro ano de vida”, destaca a endocrinologista.

Veja abaixo seis dicas da Dra. Marcela para ajudar na introdução alimentar:

1 – Começar a partir dos seis meses

A introdução da alimentação complementar deve ser iniciada a partir dos seis meses de vida. Até esse período, o leite materno atende todas as necessidades do bebê, não sendo preciso adicionar água, chá e outras substâncias na dieta. A água deve ser oferecida ao lactente apenas a partir do início da alimentação complementar.

Além do leite materno ser rico em nutrientes, ele também proporciona um efeito protetor contra doenças e estimula o desenvolvimento do sistema imunológico da criança.




2 – Prato rico

A refeição deve conter pelo menos um alimento de cada um dos seguintes grupos: cereais ou tubérculos, leguminosas, proteínas (carne de vaca, ave, porco, peixe ou vísceras, em especial o fígado, ou ovo) e hortaliças (verduras e legumes).

3 – A papinha

A papa inicialmente deve ser amassada, sem peneirar ou liquidificar, para que sejam aproveitadas as fibras dos alimentos. Aconselha-se o uso de colheres de tamanho apropriado para seu consumo. Progressivamente, sob orientação do pediatra e conforme a evolução da criança, a quantidade de refeições irá aumentar, bem como sua consistência.

4 – Frutas e sucos

As frutas in natura, preferencialmente raspadas ou amassadas, devem ser oferecidas também a partir dos seis meses. Os sucos naturais devem ser evitados, mas podem ser dados no copo, após as refeições principais, em dose máxima de 100 ml/dia, com a finalidade de melhorar a absorção do ferro.

5 – Foco no prato

A distração causada por televisão, tablet ou smartphone pode fazer com que se coma maior quantidade, além de diminuir a interação familiar. É importante evitar esse hábito desde cedo. Além disso, a criança deve ser encorajada a comer sozinha para que melhore sua autoconfiança e sua relação com os diversos grupos alimentares

6 – O que evitar no primeiro ano

Durante o primeiro ano de vida não se deve ofertar: mel, pelo risco de botulismo; leite de vaca, pelo aumento do risco de alergias no geral; açúcar (de preferência até os dois anos de idade), pelo aumento no risco de obesidade e doenças associadas.

O sal também não é indicado para o preparo das papas principais, sendo aconselhado apenas o uso de temperos naturais, como cebola, alho e salsinha.

Apesar das frutas serem todas liberadas, vale lembrar que o morango e o kiwi são frutas mais alergênicas e contém maior quantidade de agrotóxicos.

Deve-se evitar também alimentos industrializados, como bolachas, salgadinhos, refrigerantes, além de café e embutidos.

Especialista alerta: o aleitamento materno atende todas as necessidades do bebê até os seis meses de vida - Foto: Elza Fiúza/AgBr

Especialista alerta: o aleitamento materno atende todas as necessidades do bebê até os seis meses de vida – Foto: Elza Fiúza/ABr




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