Saúde Higiene e Cuidados

Conheça as principais doenças do inverno e saiba quando ir ao pronto-socorro

Escrito por Marielly Campos

No frio, as crianças ficam mais suscetíveis à doenças do trato respiratório, mas, nem sempre o ideal é sair correndo para o hospital

Da Redação

Doenças infecto respiratórias de cunho viral e bacteriano são mais comuns no inverno, diz especialista – Foto: Dadeval/PixaBay

O frio intenso do inverno voltou e, com ele, os espirros, nariz escorrendo, febre e resfriados. Nessa época do ano, é comum nos deparamos com prontos-socorros lotados e horas de espera pelo atendimento. As crianças sofrem com o mau tempo – e os pais também. Entretanto, nem sempre correr ao hospital com os pequenos é a melhor escolha, principalmente se as doenças estão no seu início da manifestação, segundo explica a pediatra Priscila Zanotti Stagliorio.

“Infelizmente, no Brasil, temos a cultura de atendimento de PSI e não ambulatorial de prevenção. Isso não é bom, pois a criança pode chegar com uma doença no hospital e sair de lá com duas ou mais, além do risco de infecção hospitalar”, diz a especialista.

Nessa época do ano, é comum ficarmos com janelas de casa, carros, coletivos fechadas e frequentar lugares com grandes concentrações de pessoas, como shoppings e cinemas. “E essas condições favorecem a proliferação de doenças infecto respiratórias de cunho viral e bacteriano, além de outras enfermidades ocasionadas pelo frio, como ressecamento da pele, doenças cardíacas e problemas de circulação sanguínea”, acrescenta Priscila.

Mas, quando devo levar a criança ao pronto-socorro?

A pediatra explica que, ao chegar ao pronto-atendimento, os profissionais costumam a fazer alguns questionamentos, como qual o período de manifestações do sintoma ou doença. Esse procedimento é normal e faz parte do protocolo que devem seguir. Em geral, essa conduta é praticada devido ao fator de que a doença, seja ela viral ou bacteriana, pode demorar até 72 horas para o início de sua manifestação e possível diagnóstico.

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”Então, se você levar a criança antes deste prazo, pode ser que o médico não consiga identificar seguramente qual pode ser o tratamento adequado. Ressalto, apenas, que para crianças menores de três meses, independente do período de febre, é importante levar ao médico ao menor sinal de febre, pois nesta faixa etária não é comum ter febre e muito menos infecções”, alerta a médica.

Priscila salienta ainda que, quando levamos uma criança ao hospital sem necessidade e a expomos a um ambiente onde há outras crianças também doentes corremos o risco de que ela adquira novas doenças e bactérias. “Chega com uma doença e pode sair com outra”. Por isso, ela aconselha aos pais que entrem em contato com o consultório antes de partir ao pronto-socorro e que sigam as orientações passadas.

Veja as principais recomendações da pediatra:

– Antes de sair correndo para os hospitais, certifique-se que a criança não está bem ao ponto de aguardar uma consulta presencial na clínica/ambulatório médico. Se estiver em condições favoráveis, fale com o pediatra.

– Observe, a partir do primeiro dia da manifestação dos sintomas a evolução do quadro – se a criança ficar prostrada, não quiser alimentar-se ou se hidratar (beber água, leite e sucos naturais) por longos períodos, fale com o pediatra por telefone ou mensagem e siga as suas orientações. Caso não consiga contato, vá para o pronto-socorro infantil.
– Nunca automedique a criança, pois as chances de causar alergias e reações adversas são grandes. Evite ir até a farmácia sem receituário do médico para comprar o que lhe é indicado por atendentes sem conhecimento profundo e ou certeza de diagnósticos.

– Não fique se torturando com informações oriundas da internet, sem fundamentos, fontes não confiáveis e ou com dados que não são relevantes a situação atual da sua criança. Cada paciente reage diferentemente de acordo com a sua imunidade e respostas fisiológicas.

– Na dúvida de qualquer conduta médica e ou procedimento, solicite esclarecimentos ao seu médico ou quem atende a criança. É um direito seu saber o que acontece com a criança e quais são os procedimentos indicados para o tratamento adequado.

Abaixo, a médica lista as principais doenças que acometem as crianças no inverno:

– Febre – conheça as variações: 35ºC ou menos: hipotermia / 36 a 37,5: normal / 37,7: estado febril / 37,8 a 39,5: febre / 39,6 a 41: febre alta / 41,2 ou mais: hipertermia.

– Bronquiolite –trata-se de uma doença provocada por diversos vírus, tendo como mais comum o sincicial respiratório (VSR), que causa a inflamação dos bronquíolos – parte final dos brônquios – e apresenta sintomas de infecções virais da via aérea superior, com febre e coriza. Por isso o diagnóstico, nos primeiros dias, pode ser confundido com outras doenças.

– Pneumonia – é uma doença de cunho inflamatório que pode ser originada de bactérias, vírus, fungos e ou parasitas no pulmão e afeta os alvéolos (sacos de ar microscópicos). Temos milhões de alvéolos no pulmão, que compõem as estruturas estéreis, livres de quaisquer microrganismos causadores de doenças. Seus principais agentes de contágio são os Streptococcus pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa, Klebsiella pneumoniae, Staphylococcus aureus, microplasma, clamídia e Hemophilus.

– Rotavírus – é uma bactéria transmitida por via fecal-oral, também, pelo contato direto entre as pessoas, uso em comum de acessórios e utensílios pessoais (colheres, copos, etc., brinquedos (falta de higiene e limpeza – lembre-se que as crianças lambem e levam tudo à boca), alimentos e água contaminada, além de falta de saneamento básico.

– Gripe – é uma infecção respiratória causada pelos vírus da família Influenza, da qual existem diversos tipos conhecidos como “cepas” e que podem promover quadros de moderados a graves, dependendo da imunidade do paciente. Provoca febre, mal-estar e sintomas que podem deixar a pessoa prostrada.

– Resfriado –também é provocada por meio de infecção respiratória viral, oriunda de múltiplos vírus como Rinovírus, Adenovírus, Parainfluenza. Diferente da gripe, não provoca febre, mas pode confundir os pais no diagnóstico devido à coriza e mal-estar ocasionados nas crianças.

– Meningite – principais tipos: Streptococcus pneumoniae (pneumococo) – mais comum e pode provocar infecções de ouvido e pneumonia. Existe vacina para combatê-la. / Neisseria meningitidis – é extremamente contagiosa e afeta principalmente adolescentes e jovens adultos. Se espalha na corrente sanguínea por meio de infecções respiratórias. / Haemophilus influenzae – comum no contágio em crianças, essa bactéria está controlada no Brasil por meio da vacina, que protege e imuniza contra a transmissão a partir de infecções no trato respiratório. / Listeria monocytogenes – mulheres grávidas, idosos, recém-nascidos e pessoas com baixa imunidade são mais aptas ao contágio, enquanto a maioria das outras pessoas não apresentam sequer os sintomas. / Meningite fúngica – pode elevar ao estado agudo da doença e apresenta sintomas semelhantes aos da meningite bacteriana. Atualmente é menos comum e não é transmitida de pessoa para pessoa.

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Marielly Campos

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