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Entenda o que é violência obstétrica e saiba como se proteger

Escrito por Marielly Campos

História de mãe que foi armada ao hospital reacendeu o debate sobre os abusos na hora do parto

Da Redação

Parturientes devem ter apoio contínuo e individualizado durante o trabalho de parto e o parto – Foto: Sanjasy PixaBay

A história chocante de uma mulher que foi armada ao hospital para se suicidar caso sofresse novamente violência obstétrica reacendeu o debate sobre o assunto nas redes sociais, em especial em grupos voltados para mães e gestantes. O caso foi contado pela jornalista Rita Lisauskas em sua coluna no jornal “O Estado de São Paulo”.

No texto, a jornalista relata que a dona de casa Paula de Oliveira Pereira, 28 anos, mãe de cinco filhos, classifica seus partos como “pesadelos” e cita em especial o terceiro deles, em 2015. Na ocasião, além de ficar sem um acompanhante, ela passou 14h em trabalho de parto e chegou a cair da maca. Entre outros traumas, foi chamada de fraca. O quinto parto não foi diferente. Ouviu gritos e acabou presa por porte ilegal de armas.

Os relatos de Paula não são os únicos. Milhares de mães passam pelos mesmos traumas todos os dias. Uma pesquisa divulgada pela Fundação Perseu Abramo, em parceria com o SESC, aponta que uma em cada quatro mulheres dizem sofrer violência durante a gestação ou o parto. Esse número ainda pode ser pequeno uma vez que muitas vezes essas agressões passam despercebidas pelas grávidas.

O que é?

A violência obstétrica, segundo especialistas, se caracteriza por tratamentos desumanos à gestante durante a gravidez, no momento do parto, que inclui o trabalho de parto, o parto em si e o pós-parto.

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O ginecologista e obstetra Alberto Guimarães, defensor do parto humanizado, diz que é preciso mudar o conceito do parto, a melhor forma de atendimento com as gestantes é transformar uma equipe multidisciplinar que atenda de forma humanizada para trazer ao mundo aquele bebê tão esperado.

“O trabalho de parto humanizado é aquele em que o evento maior que é de se parir, é realizado pela mulher. A mulher colocada como protagonista deste evento, uma pessoa que tem e teve seu desejo respeitado, teve suas necessidades atendidas”, explica o obstetra.

“Tais quais, principalmente, a ideia de acompanhante por ela escolhida, um ambiente acolhedor, pouca luz, pouca gente circulando nesse meio, possibilidade dela ingerir alimentos se ela desejar, de caminhar durante o trabalho de parto, de ter uma ajuda, a colaboração da doula com massagens para diminuir o desconforto e dar apoio”, completa.

Mas, o que caracteriza a violência obstétrica?

Atos como recusa no atendimento, agressões verbais, privação de acompanhante, episiotomia, uso abusivo de medicamentos, a perda da mulher da autonomia do seu corpo e de sua capacidade de decisão e separação da mãe e do bebê, quando saudável, são algumas destas violências.

De acordo com o Ministério da Saúde, todas as parturientes devem ter apoio contínuo e individualizado durante o trabalho de parto e o parto. A mulher não deve ser deixada sozinha, exceto por curtos períodos de tempo e por sua solicitação.

Um acompanhante escolhido por ela durante o pré, parto e o pós também é direito da parturiente. A mulher pode ainda contar com o apoio de uma doula para ajudá-la a desempenhar seu protagonismo mais ativamente.

Denuncie

Além disso, a mãe pode denunciar caso sofra algum abuso. Guimarães aconselha que ela anote tudo que sofreu, peça cópias dos prontuários dela e do bebê e busque ajuda de um advogado para garantir que seus direitos sejam respeitados.

O Ministério da Saúde informa ainda que a denúncia pode ser feita à ouvidoria do hospital, ao Ministério Público Federal – MPF e Ministérios Públicos Estaduais, Defensoria Pública, Disque Saúde 136 ou pelo Ligue 180. Caso a parturiente seja beneficiária de planos de saúde, pode denunciar também à ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).

Imagem: Reprodução/MS

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