Saúde

Evitar vacinação pode trazer de volta doenças erradicadas

Escrito por Marielly Campos

Especialista explica que a imunização coletiva ajuda a prevenir e acabar com doenças em todo o mundo 

Da Redação

Pais devem passar segurança às crianças durante a vacinação – Foto: Arquivo/Agência Brasil

Levar a criança para tomar as vacinas nem sempre é uma tarefa fácil. A famosa ‘picadinha’, muito recorrente nos primeiros dias de vida, assustam o bebê e deixam o coração de papais e mamães apertados. Além disso, as possíveis reações às vacinas vêm criando uma corrente de pais que optam por não imunizar os pequenos, o que preocupa o Ministério da Saúde.

Grupos criados em redes sociais como o Facebook compartilham histórias e receios em relação à imunização. Segundo publicação do jornal “O Estado de São Paulo”, no ano passado, por exemplo, apenas 76,7% do público-alvo aderiu à segunda dose da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.

A médica Ana Karolina Marinho, Coordenadora do Departamento de Imunizações da ASBAI (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia), não imunizar as crianças durante as campanhas é um risco para toda a população. “A vacinação coletiva ajuda a prevenir e acabar com determinadas doenças no mundo. Se as pessoas começarem a não se vacinar ou a não vacinar as crianças, doenças como sarampo podem voltar ao cenário”, explica.

Abaixo, a especialista tira ainda algumas dúvidas em relação à vacinação:

– Existem vacinas contraindicadas para crianças alérgicas? Quais são e por quê?

Sim. Mas, antes de tudo, precisamos saber a quais agentes as crianças são alérgicas. Por exemplo, crianças com alergia à proteína do leite de vaca não devem receber a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) de alguns fabricantes que contém traços de leite.
Crianças com alergia grave ao ovo, em princípio, não podem receber a vacina contra a Febre Amarela (contém ovo em grandes quantidades).

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– Todas as vacinas existentes hoje no mercado são eficientes? Ou mesmo vacinando a criança ainda corre-se o risco de contrair a doença?

A maioria das vacinas tem uma eficácia muito alta chegando a cerca de 95% de proteção. Algumas vacinas oferecem 100% de proteção como é o caso da vacina contra o tétano.

Embora menos comum, mesmo vacinadas, as crianças podem ter a doença infectocontagiosa. A vantagem é que será uma forma mais leve da doença, na maioria dos casos.

– Adultos alérgicos devem se vacinar também? Quais as vacinas mais importantes para os adultos?

Adultos alérgicos respiratórios, principalmente que têm asma, devem se vacinar contra o pneumococo e contra a Influenza.
No calendário do adulto não pode faltar: tríplice bacteriana acelular (tétano, difteria e coqueluche), hepatite B, hepatite A e Influenza. Para as outras vacinas do calendário do adulto, deve-se considerar o risco de exposição e a situação epidemiológica.

– No caso de crianças e adultos que sabem ser alérgicos, quais os cuidados que devem ter no momento da vacinação?

Alérgicos aos componentes da vacina, ou que tiveram alguma reação alérgica em dose anterior daquela vacina, devem ser avaliados pelo médico antes da vacinação. Os quadros leves de alergia geralmente não contraindicam doses futuras.

Em caso de reações alérgicas graves deve-se levar em consideração o risco benefício de vacinar o indivíduo. O risco da doença é maior do que o risco da reação à vacinação? Por exemplo: alérgicos ao ovo e febre amarela. No cenário atual, o risco de contrair infecção pelo vírus da febre amarela é muito grande. Sendo assim, o paciente alérgico a algum componente da vacina deve ser encaminhado para o médico para ser avaliada a possibilidade de vacinação.

– Como tornar a vacinação um momento menos tenso para as crianças?

Os pais devem passar segurança à criança. Precisam estar calmos e confiantes. Para aquelas crianças que já têm compreensão, deve-se informar que o procedimento é necessário para protegê-los de doenças e suas consequências (internação, faltas à escola, impossibilidade de brincar etc.).

Algumas clínicas e laboratórios dispõem de dispositivos tecnológicos para distrair as crianças enquanto recebem a picada da vacina. Brinquedos, ambiente agradável e decorado podem ajudar a distrair os pequenos.

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Marielly Campos

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