Saúde

Gravidez tardia requer cuidados

Escrito por Marielly Campos

Pesquisa aponta que gestação de mulheres com idades entre 30 e 39 anos cresceu 30% entre 2005 e 2015

Da Redação

Realizar um bom pré-natal e seguir as orientações do obstetra são fundamentais para uma gestação saudável – Foto: Brusalvate/PixaBay

A rotina profissional e as muitas oportunidades na carreira têm feito muitas mulheres a adiarem o sonho de ser mãe. De acordo com a pesquisa Estatísticas do Registro Civil 2015, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o percentual de nascimentos de bebês de mães com idades entre 20 e 24 caiu de 30,9% em 2005, para 25,1% em 2015. A pesquisa indica ainda que o número de mulheres engravidando com idades entre 30 e 39 anos foi de 22,5% para 30,8% no mesmo período.

De acordo com os especialistas, a faixa etária dos 20 anos é considerada a fisicamente ideal para a gestação. Passada esta fase, as mulheres devem atentar-se à idade, pois, com o passar dos anos, a quantidade de óvulos disponíveis diminui naturalmente, segundo explica o ginecologista Renato de Oliveira, da Criogênis, empresa especialista em reprodução humana.




“Ao nascer, a menina já perde 70% dos oócitos, que são os gametas femininos, resultando em, aproximadamente, dois milhões de gametas. Na menarca, ou seja, primeira menstruação, a mulher possui de 300 a 500 mil de oócitos. Aos 30 anos, estima-se que apenas 500 oócitos serão selecionados para serem ovulados”, afirma.

“E, depois dos 35 anos, há uma queda importante tanto da quantidade quanto na qualidade dos oócitos maternos, que por possuírem a idade da mãe, ficam mais suscetíveis a alterações genéticas e erros na divisão celular quando fecundados. Assim, principalmente após os 38 anos, aumenta a probabilidade tanto de aborto quanto de nascimento de uma criança com alguma síndrome genética”, completa o ginecolista.

Outros cuidados com uma gestação tardia também devem ser intensificados, pois os riscos à saúde são maiores. “Abortos e bebês prematuros, em decorrência de complicações como diabetes e hipertensão, são alguns dos riscos. A fim de aumentar a segurança da gestação, é importante a realização de um bom pré-natal e seguir as orientações do obstetra”, ressalta o ginecologista.

Mas, é possível ter uma gestação tardia e saudável?

Se a mulher deseja postergar a gravidez, é indispensável conversar com um especialista sobre as possibilidades e os tratamentos adequados. Os métodos de reprodução assistida, como a ovodoação e a preservação da fertilidade são alternativas para a conquista da gravidez.

Nos casos em que o desejo é preservar a fertilidade, a melhor técnica é o congelamento de oócitos pela vitrificação. “Os oócitos captados são congelados e as suas características, mesmo após o descongelamento, são preservadas. Quando a mulher decidir utilizar os seus gametas, eles serão descongelados e fertilizados. Os embriões formados serão transferidos para o útero e o teste de gravidez será feito em, aproximadamente, 12 dias”, esclarece o médico. Entretanto, Oliveira alerta: o congelamento deverá ser feito até os 35 anos de idade, pois os resultados são melhores.

“Se a mulher pensa em ter filhos após essa idade, é essencial que converse com seu médico para avaliar a possibilidade de criopreservação dos óvulos, uma vez que sua chance de gravidez será compatível com a idade que tem quando congela os gametas” de acordo com uma resolução do CFM (Conselho Federal de Medicina).

“No caso da ovodoação, realiza-se a técnica de fertilização in vitro (FIV), na qual os ovários da doadora são estimulados com medicamentos hormonais injetáveis visando a captação de oócitos. Este procedimento só poderá ocorrer com mulheres que já estejam em tratamento de reprodução assistida, para fins de doação compartilhada. Metade para menos dos oócitos captados serão fertilizados em laboratório com o intuito de formarem embriões para receptora e estes, posteriormente, serão transferidos para o útero da paciente”, explica.




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