Saúde

Meningite tem maior incidência em crianças menores de cinco anos

Escrito por Marielly Campos

Doença pode levar a sequelas neurológicas e até a morte; pediatra explica como ela se manifesta e saiba como se prevenir

Da Redação

Nos quadros de meningites virais os sintomas são mais suaves, parecidos com os de resfriados e gripes – Foto: Myriams Fotos/PixaBay

Não dá para negar, só de falar em meningite a gente já assusta. A doença, que se dá pela inflamação nas membranas que revestem o encéfalo e a medula espinhal, é um verdadeiro temor para pais e mães. Ela se manifesta a partir de diversos tipos e pode levar à sequelas neurológicas e até à morte se não for tratada corretamente.

“Trata-se de uma doença grave, endêmica e comum durante o ano todo”, explica a pediatra Priscila Zanotti Stagliorio. “Existem diversos tipos de meningites e, para todas, é importante a avaliação do médico em consulta presencial para o diagnóstico correto e precoce, evitando a evolução crônica e possíveis sequelas neurológicas”, completa a médica.

A contaminação acontece de pessoa para pessoa, assim como outras doenças virais, por meio de “contato direto, pelas vias respiratórias, compartilhamento de objetos pessoais (copos, talheres, etc), secreções e gotículas de saliva”, diz Priscila. A especialista explica ainda que a doença pode ficar encubada entre dois a dez dias e as causas podem variar: bactéria, vírus ou fungos. Já a meningite tuberculosa pode se manifestar em até seis meses após a infecção.

“Todos somos vulneráveis ao contágio, porém, a maior incidência ocorre em crianças menores de cinco anos e adultos com mais de 60 anos, devido à sua baixa imunidade. Portadores de doenças crônicas e imunossupressoras, diabetes mellitus, insuficiência renal aguda e infecção por HIV também correm mais riscos”, acrescenta a pediatra.

Abaixo, a médica cita os principais tipos de meningite:

– Streptococcus pneumoniae (pneumococo) – mais comum e pode provocar infecções de ouvido e pneumonia. Existe vacina para combatê-la.
– Neisseria meningitidis – é extremamente contagiosa e afeta principalmente adolescentes e jovens adultos. Se espalha na corrente sanguínea por meio de infecções respiratórias.
– Haemophilus influenzae – comum no contágio em crianças, essa bactéria está controlada no Brasil por meio da vacina, que protege e imuniza contra a transmissão a partir de infecções no trato respiratório.
– Listeria monocytogenes – mulheres grávidas, idosos, recém-nascidos e pessoas com baixa imunidade são mais aptas ao contágio, enquanto a maioria das outras pessoas não apresentam sequer os sintomas.
– Meningite fúngica – pode elevar ao estado agudo da doença e apresenta sintomas semelhantes aos da meningite bacteriana. Atualmente é menos comum e não é transmitida de pessoa para pessoa.

Sintomas

Nos quadros de meningites virais os sintomas são mais suaves, parecidos com os de resfriados e gripes. Quando diagnosticadas, a conduta médica é deixar que a doença se esvaneça sozinha como em outras viroses.

Já a bacteriana precisa de cuidados intensos e imediatos por ser mais grave e causada pelos vírus meningococos, pneumococos e hemófilos – transmitidos através das vias respiratórias e infecção de ouvido.

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Priscila explica ainda que, “em geral, começa com dores de cabeça, rigidez na nuca e febre alta. Também pode ser caracterizada por cefaleia, náusea, vômito, confusão mental, irritabilidade, apatia, alteração do líquido cefalorraquidiano (LCR) e, em casos graves, o aparecimento de manchas vermelhas na pele. Em bebês, é importante observar a moleira, que fica elevada, além de sinais clássicos como irritabilidade e falta de apetite”.

Delírios e evolução para o coma também podem estar entre os sintomas, segundo explica ainda a especialista. Por isso, a avaliação de um médico é necessária. Com o diagnóstico precoce é possível evitar sequelas, como, por exemplo, a perda parcial ou total da visão, falta de memória e problemas de concentração, dificuldades de aprendizado, amputação de membros, paralisia total ou parcial no corpo, epilepsia e até mesmo a morte.

Vacinas

A prevenção da meningite é feita por meio de vacina. “No calendário nacional de imunização já consta a vacina pneumocócica 10 valente e meningocócica C conjugada. Na rede privada, os pais podem imunizar seus filhos com outras vacinas combinadas que devem sempre ser indicadas pelo médico pediatra ou especialista”, diz a pediatra, que ressalta ainda que os pais não devem recorrer à imunização sem orientação de um profissional.

Veja abaixo algumas dicas da pediatra Priscila:

– Na dúvida sobre os sintomas, não hesite e ligue para o pediatra solicitando orientações e encaminhamento para o pronto socorro infantil ou atendimento de emergência.
– Manter a higiene em dia é necessário para evitar todo tipo de doença, assim como a meningite. Lave as mãos com frequência e evite o compartilhamento de objetos com terceiros.
– Caso seu filho apresente os sintomas, avise os familiares e na escola (caso esteja em fase escolar).
– Beba muita água para manter o corpo hidratado e, também para equilibrar a temperatura corpórea.
– Mantenha seu médico informado quanto as reações e outros sintomas apresentados pelo paciente.

 

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Marielly Campos

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