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Polvos de crochê ajudam crianças recém-nascidas

Escrito por Marielly Campos

Iniciativa surgiu na Dinamarca e têm adeptos pelo Brasil; veja como participar

Marielly Campos

Polvos confeccionados em crochê deixam os bebês mais calmos – Foto: Reprodução/Spruttegruppen

Em 2013, na Dinamarca, um grupo de voluntários começou a confeccionar polvos de crochês para ajudar na recuperação de bebês nascidos prematuros. A iniciativa partiu do grupo Spruttegruppen e visa doar os “bichinhos” para UTIs (Unidadeas de Terapia Intensivas) neonatais.

A associação brasileira Prematuridade – que assiste pais, familiares, amigos e cuidadores de bebês prematuros – explica que os tentáculos dos polvos de crochê remetem ao útero materno, porque se assemelham ao cordão umbilical.

“De acordo com relatos de pais e profissionais de saúde de UTIs neonatais, o uso do polvo de crochê parece acalmar os pequenos, ajudando a normalizar a respiração e os batimentos cardíacos e evitando que eles arranquem fios de monitores e tubos de alimentação”, diz texto publicado no site da associação.

O grupo criador da iniciativa diz que não patenteou a ideia, mas pede que os objetos sejam doados aos hospitais e não vendidos.

A artesã mineira Thaiza Aziz é uma das apoiadoras. Ela conheceu o projeto a partir de um grupo do Facebook – “Amigurumi (que é o nome dado aos bichinhos dessa técnica japonesa de crochê)”. “Lá tem vários vídeos ensinando técnicas e, em um deles, havia explicações sobre o projeto”, conta.

Ao saber do que se tratava, Thaiza logo produziu seu primeiro polvo “que já tinha destino certo, a UTI neonatal da Santa Casa de São João del-Rei”. Ela já produziu cerca de oito polvos e revela que já tem novos pedidos.

“Me senti muito realizada [após doar o primeiro]. Quando saí da Santa Casa senti uma emoção muito grande. Mesmo sem saber pra qual bebê ele iria, saber que um simples bichinho poderia ajudar uma criança que luta pela vida é inexplicável”, conta.

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No Brasil, a associação prematuridade também apoia a causa e oferece informações sobre o projeto. De acordo com a ONG, a produção do polvo tem algumas especificações que devem ser seguidas, para garantir a segurança do recém-nascido:

– deve ser utilizada linha de alto padrão, 100% algodão, para que resistam à lavagens em alta temperatura (não há especificação quanto à cor da linha, então pode ser de qualquer cor);

– para o enchimento, o ideal é utilizar fibra siliconada, comprada em lojas especializadas;

– os tentáculos do polvo devem ter o ponto bem fechado, para evitar que um dedinho do bebê fique preso, e não devem ultrapassar 22 cm quando esticados, pois se ficarem muito compridos podem oferecer risco aos pequeninos.

Pelo site da associação, é possível ainda aprender como produzir os polvos, como higienizá-los, como ajudar e também como receber as doações.

Polvos ajudam a normalizar a respiração e os batimentos cardíacos do bebê e evitam que eles arranquem fios de monitores e tubos de alimentação – Reprodução/Spruttegruppen

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