Desenvolvimento Comportamento

Prevenção ao bullying também deve ocorrer em consultórios pediátricos

Escrito por Marielly Campos

Sociedade Brasileira de Pediatria lança cartilha para ajudar a combater esse tipo de agressão e propõe apoio do pediatra

Da Redação, com Agência Brasil

O caso recente do adolescente que entrou armado em uma escola de Goiás e abriu fogo contra os colegas – deixando dois mortos e quatro feridos – trouxe à tona o debate sobre bullying. Prevenção, cuidados, como agir quando o filho é o agressor ou quando ele é agredido, entre outras, são questões que preocupam pais e cuidadores. Nas escolas a preocupação não deve ser diferente. Todo o corpo educacional deve estar atento aos detalhes.

Talvez, o caso de Goiânia pode ser considerado uma reação extrema em nosso país, mas os danos que o bullying podem causar grande impacto na vida da criança, refletindo na fase adulta.

Para auxiliar no combate ao problema, a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) lançou um guia sobre bullying, para que pais, adolescentes e professores possam enfrentar e prevenir essa prática, especialmente nas escolas. Segundo o presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da entidade, Joel Bressa da Cunha, a SBP tem uma preocupação ampla com todos os aspectos ligados à saúde das crianças e adolescentes.

“É um assunto importante, que precisa ser mais entendido pelos pediatras, porque eles têm ação fundamental, tanto na prevenção quanto no encaminhamento das questões de violência”, disse Cunha, explicando que o bullying deve ser mais abordado dentro dos consultórios médicos.
Esse tipo de comportamento compreende todas as atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra um ou mais colegas, causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder, tornando possível a intimidação da vítima.

No consultório

O próprio pediatra pode intervir e orientar pais e filhos, conforme a gravidade da violência, desde uma conscientização no próprio consultório, a abordagem direta na escola, até o encaminhamento para um especialista. “Uma atitude ativa do pediatra é importante para evitar consequências graves. Perguntar como o paciente está indo na escola é simples, dar orientações”, acrescentou Cunha.

No guia, Cunha explica que há uma série de informações, inclusive para identificar bem o bullying. “A gente caracteriza o bullying como a intenção de humilhar. Não é algo com a intenção de causar um dano muito grande. Mas, por ser mais leve na intenção, não quer dizer que não tenha consequências mais graves, tanto físicas quanto psicológicas”, disse.

O documento da SBP traz também orientações sobre atitudes a serem adotadas pelos diferentes atores. Por exemplo, no caso daquela criança ou adolescente que é alvo de bullying, a SBP recomenda que os pais observem a presença frequente de sinais de trauma, como ferimentos e hematomas, alterações repentinas de humor, apresentação de desculpas para não ir à escola, comportamento agressivo ou busca de novas amizades fora da escola.

Alvo x autor

Para Cunha, tanto o alvo quanto o autor do bullying têm que ser vistos com atenção especial, pois eles têm mais possibilidade de apresentar, ou de desenvolver no futuro, problemas ligados à saúde mental, como ansiedade, depressão e uso de drogas.

No caso da criança ou do adolescente que pratica atos de agressão contra os colegas, a SBP pede que os pais e responsáveis não ignorem a situação, busquem respostas para os motivos do comportamento e evitem o uso da violência para resolução do problema. “É importante evitar ações meramente punitivas, porque isso pode até reforçar algo que este estudante sente e dar motivo para uma agressividade maior”, explicou o pediatra.

De acordo com Cunha, os espectadores também são parte das estratégias de prevenção ao bullying. “É importante tornar visível a questão do bullying e incentivar todos a falar sobre isso e a conversar com os adultos para que a ação não aconteça. Se todos estiverem motivados e orientados a falar, pode não partir do alvo, mas daqueles espectadores”, afirmou.

O Guia Prático de Atualização sobre Bullying está disponível na página da SBP.

 

* Foto: Lailajuliana/PixaBay

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Marielly Campos

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