Comportamento Desenvolvimento

Retirada da chupeta deve ser feita com calma e cuidado

Escrito por Marielly Campos

Pediatra lista consequências do uso do objeto e dá dicas para mudar o hábito da criança

Da Redação

Cada família deve encontrar uma técnica particular para ajudar a criança a deixar a chupeta – Foto: Beeki/PixaBay

O uso da chupeta, item considerado indispensável por muitos pais, mães e cuidadores, pode se tornar um hábito difícil de ser alterado. Para muitos, ela é um recurso que ajuda a acalmar os pequenos.

A pediatra Priscila Zanotti Stagliorio explica que“muitas mulheres, antes de se tornarem mães, defendem teorias incríveis sobre como é fácil tirar o uso de chupetas, mamadeiras e objetos de transição das crianças”. Entretanto, para quem nunca viveu tal experiência, pode não ser tão simples quanto parece.

“Retirar o hábito da chupeta é algo que deve ser feito com calma e com cuidado para evitar traumas na criança”, diz a médica. O fácil acesso ao objeto faz com que muitos pais recorram a ele já nos primeiros dias de vida dos bebês.

“No Brasil, é comum e cultural a indicação do uso deste artigo entre as famílias e, devido ao seu valor acessível, não é raro vermos diversas marcas e modelos à disposição nas lojas sem qualquer fiscalização e ou recomendação adequada”, diz a pediatra.

A sucção

O “hábito” de sugar dos bebês é um reflexo de sobrevivência que já começa no ventre da mãe. É possível ser visto nas ultrassonografias quando estão com os dedinhos dentro da boca.

“Para os leigos, isso pode caracterizar como um ato fofo e bonitinho do bebê, mas vai muito além disso. A sucção é uma necessidade fisiológica natural do ser humano e o fazemos para sobreviver (aleitamento materno) e, quando bebês, para a liberação de endorfina – hormônio responsável pela sensação de prazer e bem-estar, segurança afetiva, regulador da dor, humor, ansiedade e estresse”, explica Priscila.

Benefícios x malefícios

A pediatra lista também os prós e contras do uso da chupeta. Veja:

Benefícios:

– Não existem benefícios cientificamente comprovados para o uso da chupeta. Alguns estudos abordam o uso dela no combate da síndrome da morte súbita do lactante, um fenômeno que acontece durante o sono dos bebês sem diagnóstico médico. Mas não há indícios fortes que possam ser considerados como importantes para a indicação do uso de chupetas em bebês na hora de dormir.

Malefícios:

– São muitos os motivos para não aderir à chupeta, do ponto de vista de saúde e bem-estar da criança. O seu uso promove diversos problemas que vão desde o desenvolvimento psíquico (dependência) como, também, prejudica a amamentação (a criança pode recusar o peito e ou diminuir consideravelmente as mamadas), altera o desenvolvimento ósseo da mandíbula, promove problemas ortodônticos e coloca a saúde em risco por causa das bactérias e vírus alojados na superfície e parte interna do látex ou borracha do produto, sem falar no perigo dos assessórios como brilhos, pérolas, bigodes e outros itens que são chamariz para que os pais comprem para bebês.

O bebê usa o peito como chupeta?

Muitos pais, mães e parentes têm o costume de dizer que a criança está fazendo o seio da mãe de chupeta. Entretanto, Priscila explica que a sucção da chupeta em nada se assemelha com a sucção da amamentação no seio materno. Segundo ela, o momento de amamentação é também de construção do afeto entre a mãe e o bebê.

Além disso, ela explica que é durante a amamentação que a criança, além de receber nutrientes, vitaminas e o alimento, ela aprende a respirar de maneira adequada. Os ossos da face, mandíbula e músculos da mastigação também se desenvolvem dentro do padrão esperado e não há riscos de infecções por contato com objetos contaminados.

Mas, como ajudar a criança a abandonar o objeto?

“Tão difícil como corrigir uma birra infantil, retirar o habito da chupeta é algo que deve ser feito com calma e com cuidado para evitar traumas”, aconselha. Segundo a especialista, é importante lembrar que o uso da chupeta começou, em geral, com uma necessidade de acalentar o bebê, portanto, deve-se agir com o mesmo carinho preparando a criança para dar adeus de uma vez ao objeto.

Não existe uma fórmula mágica, cada família precisa encontrar uma técnica particular para isso. Ela sugere que, sempre que a criança pegar a chupeta, os pais devem conversar e tentar distrai-la com outra atividade, como um livro, uma brincadeira ou mesmo um abraço.

Dessa forma, aos poucos, sem que ela perceba, o hábito será esquecido. “O mesmo processo vale para o uso de mamadeiras e acessórios de transição. Chame a atenção para outros itens que despertem autonomia e bem-estar para a criança”.

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Marielly Campos

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