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Fator RH pode influenciar a saúde do feto durante a gestação

Pré-natal ajuda identificar possíveis problemas de incompatibilidade sanguínea

Marielly Campos

Incompatibilidade sanguínea pode ocasionar problemas para o feto – Foto: Unsplash/PixaBay

O acompanhamento pré-natal possibilita que o obstetra monitore a saúde da futura mamãe e do bebê e também ajuda a detectar possíveis problemas. Um dos que pode ser evitado é a incompatibilidade sanguínea, avaliada pelo fator RH.

O fator RH é uma proteína presente na superfície dos glóbulos vermelhos e está presente em 85% da população. “Essa proteína funciona como um antígeno caso a pessoa que não a tem (RH negativo) entre em contato com o sangue com fator positivo”, explica o ginecologista obstetra e especialista em reprodução humana Rodrigo da Rosa Filho.

“Nesse caso, a pessoa RH negativo produz anticorpos contra essa proteína, destruindo os glóbulos vermelhos”, completa.



Como identificar?

Para identificar um possível problema, o especialista deverá solicitar um exame de tipagem sanguínea, que vai identificar o grupo sanguíneo – A, AB ou O – e ainda se é RH positivo ou negativo.

“O fator RH só é importante na gravidez se a mãe for RH negativo e o bebê RH positivo. Se o pai for fator positivo, a criança pode herdar essa proteína”, explica Rosa Filho. O risco ocorre pois o sangue do bebê pode entrar na corrente sanguínea da mãe fazendo com que o sistema imunológico reaja contra o antígeno RH do sangue do bebê e produza anticorpos contra ele.

Esses anticorpos podem ultrapassar a placenta e destruir as células sanguíneas do feto. O risco de que isso ocorra na primeira gestação, entretanto, é mínimo, mas se agrava em uma segunda gravidez e pode levar a problemas como a icterícia, anemia, insuficiência hepática ou cardíaca e até levar ao óbito do feto, afirma ainda o especialista.

Mas, o que fazer?

Segundo Rosa Filho, o ideal é evitar a produção desses anticorpos. “Para isso, é administrado a Imunoglobulina anti-D, que bloqueia imediatamente a formação dos anticorpos maternos”, diz Rosa Filho.

“Toda vez que a gestante tiver sangramento (ameaça de aborto, aborto, gravidez na trompa etc) ou ao completar 28 semanas de gestação, quando a mulher for RH negativo e o pai RH positivo ela deve receber a imunoglobulina”, afirma o médico.

A imunoglobulina é administrada com 28 semanas de gestação e tem duração de 12 semanas, protegendo o feto no terceiro trimestre da gravidez, quando há a maior possibilidade do contato entre os sangues da mãe e do bebê. Uma nova dose deve ser aplicada após o nascimento, caso o bebê tenha confirmado o fator. Se for negativo, não é necessário.

“Caso a gestante já seja sensibilizada e já tenha anticorpos, não adianta administrar a imunoglobulina, pois não terá efeito”, diz o médico. Quando isso acontece, “o feto deve ser monitorado e em alguns casos é necessário transfusão sanguínea intrauterina para controlar a anemia causada”, diz. Ele ainda alerta: esses cuidados devem ser repetidos em todas as gestações.

Marielly Campos

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